Oeste teve outubro mais quente e seco de todo o Paraná

05/11/2020
Lago municipal de Cascavel tem sido usado para compensar a falta de água nos rios que abastecem a cidade, mas a medida é insuficiente para a demanda da população

Fonte: O Paraná

Foto: Luiz Carlos da Cruz/Especial para a Gazeta do Povo

 

O Paraná atravessa desde o ano passado a pior estiagem dos últimos 30 anos e, ajustada à realidade, é a mais grave da história. A situação só se agrava e ainda não há previsão de melhora para curto prazo.

Dados do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) mostram que o mês de outubro teve uma combinação nada positiva para a situação hídrica do Paraná. Além de registrar chuvas abaixo da média histórica em quase todos os municípios, assim como setembro, a onda de calor recorde fez com que em muitas cidades as temperaturas ficassem acima da média histórica.
A região oeste registrou os piores índices dos dois fatores. Em relação às temperaturas, com a onda de calor na primeira quinzena do mês, diversos municípios registraram anomalias positivas de temperatura do ar, ou seja, acima da média histórica. Diversos municípios registraram anomalias de mais de 2ºC. No oeste, o Simepar chama a atenção para as cidades de Toledo e São Miguel do Iguaçu, que tiveram o maior aumento: 2,3ºC acima da média.

Além dos desvios positivos de temperatura média, 26 cidades registraram valor igual ou acima de 40ºC, inclusive Cascavel, onde a máxima registrada foi de 41ºC. Na Capital do Oeste, apenas dez dias de outubro registraram temperatura máxima abaixo dessa média e o restante, acima. No mês de setembro, a temperatura máxima em Cascavel não passou de 32ºC.

Menor índice de chuva da história

O oeste também aparece no levantamento do Simepar como uma das piores regiões no registro de chuvas do Paraná. Cascavel teve o pior cenário em todo o Estado, com registro negativo de 185,9 milímetros, ou seja, deveria ter chovido esse volume a mais para chegar à média de acumulado.
As chuvas registradas em Cascavel estão muito abaixo da média esperada a cada mês. De acordo com a Sanepar, a Coopavel tem registro de 945 milímetros de chuvas de janeiro até agora, o menor volume registrado nos últimos 20 anos na cidade.
Nos demais municípios do oeste, o registro de chuvas também ficou abaixo da média histórica e apresentam, junto com as Regiões Sul e Sudeste, os piores índices do Paraná.

Lago e nova estação salvam Cascavel do rodízio

Na primeira quinzena de setembro de 2019, Cascavel iniciava o rodízio no abastecimento de água na região urbana. Hoje, o cenário hídrico está ainda mais crítico, mas o Município não teve o sistema de rodízio implantado por conta do aumento da captação no Lago Municipal, que chegou a ter o registro aberto em 70% e ficou ainda mais baixo que há um ano, e agora, com o início da nova captação de água no Rio São José, a Sanepar garante que não há previsão de racionamento. Só que nem de longe a situação é confortável. O Rio São José começa a operar com vazão 40% abaixo do normal, o que já impediu que uma das bombas pudesse continuar funcionando.
Por conta da maior captação de água no Lago Municipal, o local registrou o pior nível da história, ficando 1,92 metro abaixo do nível normal.

Vem chuva por aí?

A previsão do Simepar para os próximos 15 dias tem registro de chuvas, mas apenas pancadas isoladas e com volumes não muito significativos. Para Cascavel, por exemplo, há previsão de chuva do dia 9 ao dia 17 de novembro, mas com acumulados abaixo de 10mm por dia.
Na região de Toledo, a previsão é de registro de pancadas de 9 a 15 de novembro e, na região de Foz do Iguaçu, pode haver registro de chuva nos dias 9, 10, 11 e 12.
“São todas pancadas isoladas causadas por áreas de instabilidade que vão avançar do Paraguai e do Mato Grosso do Sul e que devem atingir todo o Estado nesse período, mas não com volumes significativos nem distribuída de forma geral. Mas também é preciso lembrar que os modelos têm mudado muito rapidamente e que o que está previsto agora em pouco tempo pode não estar mais”, acrescenta o meteorologista Paulo Barbieri.
Ele afirma ainda que não há previsão de chuvas significativas e constantes em um futuro próximo.
Nesta quinta (5) e sexta (6) uma massa de ar seco de origem polar que derrubou a temperatura em algumas regiões do País e os ventos frios ainda vão causar mínimas de 10ºC no oeste à noite e ao amanhecer, mas durante o dia as máximas devem chegar a 31ºC. No sábado (6), as temperaturas voltam a subir e a mínima prevista é de 15ºC.

Produtores comemoram

Apesar de insuficiente, a notícia de chuva à vista traz alívio aos produtores de soja e milho da região. A maioria arriscou plantar em solo seco e depende da umidade para que as sementes germinem.
Na regional do Deral (Departamento de Economia Rural) de Toledo, 100% da área prevista para as culturas está plantada. De acordo com a engenheira agrônoma e técnica do Deral Jean Marie Ferrarini, as áreas cultivadas ficaram dentro do previsto: 486.920 hectares de soja e 3.390 hectares de milho e o produtor agora espera a chuva para garantir a germinação e o desenvolvimento da planta.

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