EUA votam em uma das eleições mais importantes do século

03/11/2020
Ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden e o atual presidente americano, Donald Trump, disputam o voto do eleitor americano nesta terça-feira (3)

Fonte: Gazeta do Povo 

Foto: JIM WATSON e MANDEL NGAN/AFP

 

Três de novembro chegou. A terça-feira que marca o ápice do processo eleitoral americano. Em todos os Estados Unidos, os eleitores terão sua última oportunidade de votar para escolher seu presidente para os próximos quatro anos: o republicano Donald Trump ou o democrata  Joe Biden. Também vão definir o destino do Senado e da Câmara de Deputados ao entregar o controle das casas legislativas para republicanos ou democratas.

Independentemente de quem ganhar, essa eleição vai entrar para a história como uma das mais importantes do século. Prova disso é que a eleição caminha para ter a maior participação popular em mais de cem anos. Até domingo (1.º), de acordo com o US Election Project, mais de 93 milhões de americanos já tinham depositado seu voto, um número que a três dias da data oficial da eleição representa mais dois terços de todos os votos contabilizados no pleito presidencial de 2016 (136 milhões). Michael McDonald, professor da Universidade da Flórida e coordenador do US Election Project, estima que 150 milhões de americanos votarão em 2020, ou seja 65% dos 239 milhões de eleitores registrados no país.

Pesquisas de opinião também mostram o grande interesse da população na eleição presidencial deste ano. Um levantamento do Pew Research Center mostrou que 83% dos eleitores acreditam que “realmente importa quem vai vencer a eleição”, um número que não era visto desde 2000 nas pesquisas conduzidas pelo instituto.

Há muitos dramas envolvidos: a profunda polarização entre democratas e republicanos, a pandemia do novo coronavírus e seus impactos sociais e econômicos, a promessa de um resultado da disputa presidencial contestado na justiça - e a sombra de que isso possa levar violência para as ruas. Até mesmo a idade avançada e a saúde dos candidatos já foram motivos de nervosismo nesta campanha.

O que também deixa o mundo ansioso é a diferença entre as plataformas dos dois candidatos para as políticas internas, pautas de costumes, estratégias para as relações internacionais. Trump continua apostando em seu “America First” de viés conservador, enquanto os democratas, embora não tenham escolhido o socialista Bernie Sanders como candidato, estão concorrendo na plataforma mais progressista do que o esperado para um centrista Joe Biden – muito mais do que a de Hillary Clinton ou de Barack Obama.

“É a plataforma mais progressista de qualquer candidato democrata na história moderna do partido", disse à Vox Waleed Shahid, diretor de comunicações do Justice Democrats, um grupo que apoia candidatos democratas com viés de esquerda para o Congresso Americano.

Por que a eleição americana importa para o Brasil?

O Brasil também aguarda ansioso o resultado da eleição presidencial americana. O presidente Jair Bolsonaro tem o mesmo alinhamento ideológico de Donald Trump e nos últimos dois anos isso ajudou a fortalecer os laços comerciais e políticos entre os países. Com Joe Biden despontando na frente na corrida presidencial americana, como isso poderia impactar as relações com o Brasil?

Esse assunto também foi tema de reportagens da Gazeta do Povo. No Itamaraty, não é esperada uma ruptura caso os democratas voltem à Casa Branca. Por parte dos americanos, há pelo menos dois bons motivos para que a cordialidade se mantenha: a campanha contra o uso da tecnologia chinesa para os sistemas de internet 5G no Brasil, os governos de esquerda na América Latina, especialmente na Venezuela.

Contudo, o ritmo das negociações não deve ser o mesmo, segundo o embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster. Temas como meio ambiente e direitos humanos podem atrapalhar o andamento de negociações comerciais, especialmente se os democratas assumirem o governo e o Congresso.

 

 

 

 

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