Entrevista com a Secretária de Estado do Turismo de Portugal, Sra. Rita Marques

12/02/2021
Secretária de Estado do Turismo de Portugal, Sra. Rita Marques concede entrevista exclusiva a jornalista Cristina Lira.

1- 2021 Chegou. A pandemia continua no mundo. Como será o Turismo de Portugal nesses primeiros meses? Qual a expectativa?

Neste início do ano, o mundo registrou números preocupantes, que nos alertam para a necessidade de mantermos a saúde pública como prioridade. Os programas de vacinação a nível mundial estão, como em Portugal, na sua primeira fase de implementação. Tudo visto, o sentimento nestes primeiros meses de 2021 é de expectativa e esperança. Acreditamos que a partir do segundo trimestre de 2021 iremos conseguir iniciar a retomada.

 

2- Qual o setor do Turismo mais afetado?

A hotelaria, a restauração, as agências de viagens e o setor de congresso e eventos? O Turismo representa quanto na economia portuguesa?
Infelizmente, em 2020, as perdas em todos  os subsetores do turismo são muito significativas, pelo que, o grande desafio passa por apoiar as empresas, defendendo a sua capacidade produtiva e o emprego, em toda a cadeia de valor.
Em 2019, o VAB gerado pelo turismo representou 8,5% do total do VAB da economia na cional. No mesmo período, a procura turística foi equivalente a 15,4% do PIB, cerca de 33 mil milhões de euros. O setor do turismo é a maior atividade econômica exportadora do país, sendo, em 2019, responsável por 52,3% das exportações de serviços e por 19,7% das exportações totais.

 

3- O que o governo tem feito para melhorar a situação dos portugueses que perderam o emprego e para assegurar as empresas?

A nossa primeira prioridade tem sido a saúde dos cidadãos. Reconhecemos, porém, que o surto de coronavírus representa também um enorme choque para a economia pelo que, desde março, temos vindo a lançar um conjunto muito importante de medidas que visam defender a capacidade produtiva e o emprego. Ao nível de medidas de apoio à tesouraria, destaco os alívios fiscais, as moratórias bancárias e as linhas de crédito com garantia pública. Ao nível da manutenção do emprego, implementamos o layoff simplificado e lançamos apoios à retomada e à normalização da atividade, suportando parte dos encargos com os salários dos trabalhadores.

Finalmente, não descuramos os apoios ao investimento, nomeadamente para adaptação às exigências sanitárias, nem os apoios ao fundo perdido para cobrir custos não salariais. No total, foram mais de 22 mil milhões de euros de apoios. Expurgando moratórias de natureza fiscal e bancária, 2,5 mil milhões de euros foram direcionados para o setor do turismo, ou seja, cerca de 20% do montante total mobilizado.

Para além destas medidas, destaco ainda o lançamento do Selo Clean and Safe, que reconhece as entidades de toda a cadeia de valor do turismo que implementaram medidas de segurança sanitária e que garantem a devida proteção aos visitantes. Esta medida, a primeira do gênero a ser lançada na Europa, foi muito importante para criar confiança nos clientes. Atribuímos perto de 22.000 selos, e demos formação em práticas e medidas sanitárias a mais de 23.000 pessoas. Devemos cuidar do presente, mas sempre com os olhos no futuro. Em outubro de 2020, lançamos o Plano Turismo +Sustentável 2023, que reforça o nosso compromisso com a sustentabilidade no turismo.

Lançamos ainda o Programa de Formação Upgrade, dirigido aos profissionais do turismo, e que pretende ajudar as pequenas e muito pequenas empresas a adquirirem conhecimentos e competências que lhes permitam preparar o futuro, estruturando os seus negócios com novas propostas de valor, mais sustentáveis e capazes de responder às exigências futuras do setor. Temos também lançado diversas ações dirigidas às Start-ups, ao emprego tecnológico, e aos investidores, pois Portugal continua a ser um excelente destino para empreendedores e oferece condições muito competitivas para investidores, para trabalhadores altamente qualificados, e para residentes não habituais, incluindo os nômades digitais.


4- O Reino Unido é o principal polo emissor de Portugal. Quanto representa na economia a perda desse mercado? E o que tem sido feito?

Ao longo dos últimos anos, Portugal tem vindo a trabalhar na diversificação da procura, tanto através da abertura de novos mercados emissores, como desenvolvendo novos segmentos de procura em mercados mais tradicionais para Portugal, como é o caso do Reino Unido. Ao nível dos novos mercados emissores temos, hoje em dia, novos mercados importantes para o nosso destino, que por motivo da pandemia se retraíram, mas que estamos confiantes que irão retomar logo que a situação for ultrapassada. É o caso de mercados como a China, a Coreia do Sul, o Japão e a Austrália, mas também alguns mercados intercontinentais já habituais em Portugal, que em resultado de estratégias agressivas de desenvolvimento da operação aérea, tiveram um novo ímpeto de crescimento, como é o caso do Brasil, EUA e Canadá.

Em simultâneo, temos também levado a cabo uma estratégia de desenvolvimento de novos produtos turísticos em Portugal, procurando com isso atrair novos turistas. É o caso de produtos como o cycling e walking, enoturismo e gastronomia, turismo natureza, turismo industrial, turismo religioso, turismo desportivo, casamentos e luas de mel e muitos outros. Estamos atentos a novas tendências do consumidor que se começam a desenhar, como é o caso dos turistas nômades digitais.

O Reino Unido é importante para Portugal e em alguns destinos regionais é mesmo um mercado crítico, como é o caso do Algarve e da Madeira. Estamos confiantes que com as estratégias que temos em curso para o desenvolvimento das acessibilidades aéreas, de desenvolvimento de novos produtos e do lançamento de medidas concretas para mitigar os impactos negativos da saída do país da União Europeia, como é o caso da manutenção das taxas de segurança aeroportuárias em Portugal para os passageiros com destino ao Reino Unido, conseguiremos que o mercado retome já a partir de 2021 e que paulatinamente atinja os valores de 2019. Os britânicos não deixarão de viajar, e Portugal mantém os seus ativos intactos.

 

5- A vacina contra a Covid-19 já chegou a Portugal. Será obrigatória para todos os cidadãos?

Estão previstas três fases para a execução do plano de vacinação contra a Covid-19 em 2021, que teve início em dezembro passado. Atendendo à experiência de mais de 40 anos de plano de vacinação em Portugal, entendeu-se que a Vacina deveria ser universal, facultativa e gratuita.

 

6- O Brasil é um forte mercado para Portugal. Com as restrições e o impedimento dos brasileiros entrarem no país como turista, quanto representa a perda e quantos turistas o Brasil levava por ano para Portugal antes da pandemia?

Como já referi, o mercado do Brasil é extremamente importante para nós. Em 2019 registramos 1,3 milhões de hóspedes do Brasil (8% dos estrangeiros), e quase 3 milhões de dormidas (6% do total dos estrangeiros). Foi o segundo mercado que mais cresceu. Até outubro de 2020, as quebras neste mercado, em dormidas e hóspedes foram de cerca de 74% e 76% respectivamente. Assim que for possível viajar, temos muita confiança que os Brasileiros viajarão em força para Portugal. Estaremos de braços abertos.

 

7- De Norte ao Sul do Brasil, a expectativa é grande dos brasileiros em poder voltar a viajar para Portugal. A Sra acha que isso já será uma realidade a partir de março deste ano?

Sim, a partir do 2º trimestre. Estamos todos ansiosos.


8- Como a senhora analisa sobre a recuperação do Turismo de Portugal? Será lenta? Deverá seguir essa situação até 2022?

A maioria das projeções indicam uma retomada no turismo internacional mais forte a partir do 2º semestre de 2021, sendo que não antes de 2023 atingiremos os valores de 2019. Portugal seguirá uma trajetória idêntica.

 

9- Portugal é um país pequeno mas imenso com seu potencial turístico, com suas riquezas culturais e históricas. Qual será o Turismo principal dessa era? O Turismo de natureza?

Todos os ativos estratégicos e motivos de atração do país estão intactos. Podemos até dizer que a atratividade de Portugal sai reforçada, já que Portugal oferece uma palete diferenciada de experiências, da praia à montanha, da cidade ao mundo rural, ajustadas à procura pós-pandemia, ou seja, produtos muito baseados na autenticidade, na cultura e na natureza, assim como no turismo de maior proximidade e menor aglomeração. Mas temos de ser audazes para conquistar o nosso lugar no pós-pandemia. Estamos preparados para aproveitar a oportunidade quando for possível viajar. Estamos prontos para liderar o caminho de um turismo mais sustentável.

Foto:  Divulgação Secretaria de Turismo de Portugal

DEIXE SEU COMENTÁRIO

1 COMENTÁRIO(S)

Boa tarde! Estou muito ansiosa para voltar para portugal e recomeçar meu trabanho , tive que vim para o brasil de FÉRIAS e nao consigo voltar presciso muito voltar espero que nao demore muito .
comentado por Eneida em 06/05/2021