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PARAGUAI EM TRANSFORMAÇÃO

PARAGUAI EM TRANSFORMAÇÃO

Atrai indústrias brasileiras

Horácio Cartes pres copy

A tentativa a todo custo de aumentar a arrecadação, injetando novos impostos e onerando outros, tem feito cada vez mais empresas pensarem duas vezes ao empreender

em território brasileiro, e aquelas que podem, tem trocado o Brasil por nações vizinhas, menos onerosas.

Esta onda de migração de empresas não iniciou agora e cresce cada dia mais abrindo novos mercados de trabalho, ampliando a qualidade de vida e expandindo

novos mercados aos que buscam as novas fronteiras.

Um exemplo que vale destacar, vem da onda da rede de varejo Riachuelo, a Guararapes, que  instalou sua primeira confecção no Recife (PE) em 1951, tornou-se uma

gigante do setor têxtil nacional e sempre concentrou sua produção no país. No ano passado, associou-se à Texcin, no projeto de um centro de confecção de

US$ 5 milhões, e passou a produzir parte das coleções femininas no Paraguai. Outros US$ 5 milhões serão aplicados numa segunda etapa, quando a empresa deve

empregar duas mil pessoas.

A Guararapes é apenas uma entre muitas empresas brasileiras que estão se instalando no Paraguai. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), no momento em que o setor alerta para o risco de desindustrialização no Brasil, dezenas de companhias cruzaram a fronteira e montaram operações no país vizinho.

A Vale, por exemplo, adquiriu lá recentemente empresa de logística fluvial, enquanto que a catarinense Buddemeyer, fabricante de artigos de cama, mesa e banho, está a todo vapor com uma unidade têxtil. O mesmo ocorre com a InterCement, a cimenteira do grupo Camargo Corrêa, que também ergueu nova fábrica em Yguazú.

— Mandamos para lá parte do maquinário da fábrica de Fortaleza. E enviamos tecidos e moldes. Nosso parceiro costura as roupas e fornece para nossas lojas no Brasil. O Paraguai tem o custo chinês, com o transit time (tempo de chegada no país) de Santa Catarina. Uma peça demora seis meses para chegar da China até aqui, do Paraguai chega em um dia — disse Flávio Rocha, presidente da Guararapes.

CUSTOS 39% MENORES

Já neste ano, conta o empresário, as peças feitas no Paraguai devem representar um percentual razoável das vendas no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), outras empresas já estão tocando projetos para produzir fiação e tecido no país vizinho.

— No futuro, pela proximidade, a produção paraguaia deve ocupar o espaço da China (de onde hoje vêm 40% das coleções da Riachuelo) — afirmou Rocha.

Além de incentivos fiscais, energia e mão de obra mais baratas — no caso da indústria têxtil, o custo de produção com energia e mão de obra é 39% menor que no Brasil —, as empresas procuram menos burocracia e acesso a outros mercados. O Paraguai tem acesso especial a mercados como o da União Europeia, por ser beneficiário do Sistema Geral de Preferências (SGP).

Wagner Weber, sócio-diretor da consultoria Braspar (Centro de Negócios Brasil-Paraguai), lembra ainda que as empresas que se instalam lá podem importar matéria-prima e bens de capital com isenção de impostos. E, na hora de exportar, graças a uma lei chamada Maquila, o fabricante paga apenas 1% em tributos.

— O governo paraguaio quer tornar o país em um grande polo têxtil e de autopeças da América Latina — explicou Weber.

Para o consultor fiscal e professor de direito tributário pela USP Fernando Zilvetti, essas vantagens tributárias caracterizam uma “guerra fiscal permitida”, já que no Paraguai há um único imposto sobre consumo (IVA), enquanto que no Brasil paga-se IPI, ICMS, PIS e Confins sobre os produtos.

— Dos países do Mercosul, só o Brasil não tem imposto único sobre consumo, e com os incentivos e isenções às importações, é muito mais barato produzir lá.

Além disso, observa Zilvetti, nos últimos anos aumentou tanto a segurança nas estradas como também a ampliação das rodovias do país, o que significou redução nos preços dos fretes. A posse do presidente, Horacio Cartes, em 2013, acrescenta Zilvetti, trouxe mais segurança jurídica e despertou a atenção dos brasileiros que não param de chegar para conhecer de perto as oportunidades que o Paraguai oferece.

ENERGIA SOBRANDO

A abundante disponibilidade de energia elétrica, devido a hidrelétrica de Itaipu e outras que o Paraguai possui, faz que o custo da energia por lá seja 50% mais barata do que no Brasil.

“Esse benefício no custo de mão de obra e da energia são diferenças relevantes em comparação ao Brasil. Lá a conta de luz fica quase três vezes mais barata ”, afirma Rafael Buddemeyer, diretor comercial da tradicional fabricante de toalhas Buddemeyer. A empresa brasileira possui uma filial no país vizinho há mais de 17 anos e pretende expandir a produção no Paraguai. A unidade especializada na produção de lençóis e estamparia fica na cidade de Pilar, a 300km de Assunção, e hoje emprega cerca de 800 funcionários. “O que vemos não é uma diferença no que se refere ao salário base, mas sim quanto o Estado cobra de impostos. O Paraguai não faz milagre, é o Brasil que abusa dos impostos”, afirma.

Os incentivos fiscais, por exemplo, foram determinantes para empresa X-plast de capital brasileiro se instalar no Paraguai, diz o diretor Marco Antônio Cubas. Inaugurada há três anos na Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, a indústria do setor de plásticos fabrica brinquedos, utilidades domésticas, mesas e cadeiras e a maior parcela da produção é exportada para o Brasil. “Hoje empregamos cerca de 280 funcionários e continuamos achando bastante vantajoso a flexibilidade da legislação trabalhista aqui e principalmente o valor menor gasto em impostos”, afirma. A percepção de Cubas é acertada já que no Paraguai o imposto de renda (IR) e o imposto sobre o valor agregado (IVA) estão na casa dos 10%. Enquanto no Brasil as empresas pagam 25% de IR e outros três impostos no lugar do IVA: PIS, Cofins e o ICMS que juntos somam mais de 25%.



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